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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Olhares - Campos Elíseos II
















































































Olhares - Campos Elíseos I

Para a fidalga Silvia


Algumas imagens do passado que ainda resiste no presente.

Palacete José de Souza Queiróz, 1911.














sexta-feira, 14 de novembro de 2008

São Paulo - 1943

Interessantíssimo vídeo feito pelo "U.S. Office of the Coordinator of Inter-American Affairs" apresentando a cidade de São Paulo em 1943.



Dica de Flanela Paulistana, que achou aqui.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Dois livros antigos sobre São Paulo

Recentemente adquiri estes dois livros, editados por Monteiro Lobato na década de 1920.

Espero, depois de intervenções mínimas de restauro, poder ler e escrever um artigo sobre o que encontrar de interessante.






sábado, 6 de outubro de 2007

Silva Prado e Souza Queiróz - Parte II

O apogeu no século XIX


No período que compreende a proclamação da Independência até o fim do Império as duas famílias conheceram seu melhor período político, econômico e social. Dominando a política na cidade além de atividades culturais e vida social, ambos os grupos teceram importantes alianças através de matrimônios interfamiliares e sociedades políticas e comerciais que proporcionaram o fortalecimento de cada um dos grupos, bem como de sua representatividade na vida paulistana.


Nesse período podemos destacar diversas figuras de extrema importância na história do Brasil e que estavam ligadas às familias-chave alvo deste estudo.


Ligados aos Prado, ou mesmo sendo um deles, estão os irmãos Andrada, o brigadeiro Manoel Rodrigues Jordão, o Barão de Antonina, Eleutério da Silva Prado, Antonio da Silva Prado III (Barão de Iguape), os irmãos Antonio, Martinico, Eduardo e Caio Prado, entre outros.


Na família Souza Queiróz pode-se elencar o Brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar, o Padre Diogo Antonio Feijó, o Senador Nicolau Vergueiro, o Marquês de Monte Alegre, coronel Antonio Paes de Barros, o Major Diogo Antonio de Barros, o Senador Francisco de Souza Queiróz, o Senador Francisco de Paula Souza.


Retomando o início deste artigo, se fosse um romance poderiam ser colocados em campos distintos os dois grupos familiares na grande questão do último quartel do século XIX: monarquistas e republicanos. O caso é que na realidade havia dissidências dentro das famílias nesse aspecto. Para exemplo clássico podemos tomar o núcleo principal dos Prado, no qual Martinico fazia oposição aos irmãos Antonio, Eduardo e Caio. Chegaram mesmo a cortar relações, sendo que Martinico e Eduardo não mais se falaram.


Um incidente que faz parte da história familiar relata que na última visita do imperador a São Paulo: dona Veridiana dispôs seus netos em alas na entrada da Villa Maria, para que jogassem pétalas de rosa no monarca. Pois um dos meninos formou uma bola de pétalas e atirou bem no rosto de D. Pedro. A partir desse ponto as versões variam: uma reza que ao saber que o menino era filho de Martinico, o imperador fez um gracejo, comparando os espíritos de pai e filho. Outra afirma que ficou visivelmente contrariado, o que gerou um tremendo mal-estar para dona Veridiana.


Já em relação ao abolicionismo não houve posição coesa do grupo: enquanto alguns desde meados do século XIX já testavam uso de mão-de-obra livre, outros mantiveram seus cativeiros até a promulgação da Lei Áurea. No grupo Souza Queiróz as ações de colonização foram mais acentuadas, como as implantações feita pelo Senador Vergueiro, Comendador Souza Barros, Senador Queiróz, entre outros. No caso dos Prado, o Conselheiro manteve-se escravocrata até vésperas da Lei Áurea; já seu irmão Martinico foi um dos principais defensores da idéia de braços livres na cafeicultura e um dos fundadores da Sociedade Promotora de Imigração, cujo nome de maior destaque entre seus componentes foi o Conde de Parnaíba, ligado por laços familiares ao grupo dos Prado.


Após a queda da monarquia o Conselheiro Prado viaja para Europa, profundamente desgostoso com a situação do país. Por lá permanece alguns anos e ao retornar começa a ser instado por amigos que haviam aderido ao novo regime a retomar sua carreira política. Em 1899 assume a prefeitura paulistana permanecendo no cargo por 11 anos, sendo sua gestão um das mais importantes na história da cidade.


Na última década do século os monarquistas lutavam pela restauração e a cidade foi alvo de violentos combates entre este grupo e os republicanos. Eduardo Prado era um dos mais combativos monarquistas e seu jornal "O Diário de São Paulo" o veículo de mídia do grupo. Até mesmo Veridiana assumiu o comando do jornal por algum tempo enquanto o filho fugia da repressão do Marechal Floriano. Foi um período sombrio na família Prado.


No grupo dos Souza Queiróz despontavam nomes como Washington Luiz (genro do Barão de Piracicaba II), Albuquerque Lins (genro do barão de Souza Queiróz), Francisco Antonio de Souza Queiróz Junior, entre outros.


Um episódio interessante na vida da cidade teve como protagonista os Barões de Tatuy. Para a construção do viaduto do Chá era necessário demolir o velho sobrado onde moravam os barões, que ficava na esquina da rua Direita com a Libero Badaró, muito antes de existir a praça do Patriarca. O que não passava de uma disputa judicial e de foro municipal acabou por tomar ares de briga entre monarquistas reacionários e republicanos progressistas (veja mais em


O século XIX terminava e com ele uma geração saía de cena, em sua maior parte de titulares do Império, fazendeiros, políticos. Seus descendentes, dali por diante, é que tomariam as rédeas e assumiriam os papéis que lhes cabiam no cenário da aristocracia do café. O século XX se anunciava prometendo novidades e mudanças, como uma nova era de ouro na história da humanidade. Novos tempos.

* * *


Como parte inicial do projeto deste blog, este artigo finaliza o estudo macroambiental das famílias de destaque na história paulista.


Os próximos artigos irão tratar de casos específicos, ligações familiares mais detalhadas e que em grande parte terão como protagonistas personagens ligados ao grupos descritos anteriormente.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

A avenida que nunca foi dos barões


Nos últimos anos diversos artigos já vem contradizendo o senso comum que batizou a avenida Paulista como reduto dos “barões do café”. A expressão, que no mais das vezes apenas indica a elite cafeeira surgida em meados do século XIX, não pode ser aplicada a esse endereço especificamente, visto que proporcionalmente foram poucas as famílias ligadas diretamente a essa cultura a residir na avenida.

De modo simplista, poderiamos tomar a lista de assinantes da Cia. Telefônica e provar que a Paulista era endereço dos imigrantes, bastando ver os nomes que ali estão: Matarazzo, Rizkhalla, Assad, Schaumann, Weizflog, Von Bullow, Thiollier, Klabin, Crespi, Siciliano, Gamba, Scarpa. Os nomes nacionais, apesar de pertencerem à famílias ligadas a cafeicultura, em sua maioria dedicavam-se a profissões liberais, desvinculados da agricultura e, portanto, não se enquadrando no que se convencionou chamar de “barões do café”. Nicolau Moraes Barros (médico); Horácio Sabino (empresário); Numa de Oliveira (banqueiro); Ernesto Dias de Castro (importador), Luis Anhaia (professor) eram alguns desses indivíduos que, apesar de ligados à economia cafeeira não eram produtores, mas sim profissionais liberais ou empresários notadamente urbanos.


Os cafeicultores propriamente ditos que ali residiram até a virada do século foram poucos, como Francisco Ferreira Santos e Joaquim Franco de Mello. Literalmente, a única pessoa que recebeu título de nobreza nos tempos do Império a residir na avenida foi a Baronesa de Arary, que construiu em 1917 um palacete com projeto de Victor Dubugras, junto ao parque Villon. Mas isso foi após ter morado nos Campos Elíseos e depois, já viúva, em Higienópolis.


A avenida Paulista foi endereço da nova elite que surgia, oriunda do comércio e da indústria, como se pode ver numa simples pesquisa primária. Além disso, apesar de endereço chic, muitas famílias de classe média residiram em diversas casas de aluguel construídas especialmente para este fim. Não estamos aqui tratando do entorno da avenida, como alamedas Santos, São Carlos do Pinhal, Campinas, etc, pois aí se torna mais notável a disparidade de classes sociais convivendo no mesmo espaço urbano.


O barões do café – que receberam títulos nobiliárquicos do Império - , esses moraram ou em suas fazendas (notadamente os do Vale do Paraíba) ou no chamado centro histórico da cidade. Dali, alguns se transferiram para os caminhos que demandavam a estação da Luz, como rua Alegre e da Constituição (hoje, respectivamente, Brigadeiro Tobias e Florêncio de Abreu) ou para os Campos Elíseos, cujo loteamento se iniciou em 1880.


Inaugurada em 8 de dezembro de 1891, portando já no período republicano, a avenida Paulista foi ter a primeira casa (fig. 1) construída em 1895, por Adam Von Bullow, presidente da Cia. Antarctica. Um ano depois Francesco Matarazzo terminou sua residência, uma casa térrea com planta que seguia o esquema tradicional quando a norma já eram os padrões franceses de distribuição. Luís Anhaia entra com seu projeto na Prefeitura em 1898.


No período do Encilhamento a febre imobiliária concentrou-se nos bairros que já estavam implantados como Campos Elíseos, Santa Cecília, Vila Buarque, Chá, Liberdade e imediações do centro histórico.


Em 1900 a Ligth inaugura a linha de bondes elétricos, atraindo novos moradores como Horácio Sabino. Morando na General Jardim, desde fins do século ele possuía na avenida uma chácara apenas para recreio, com uma velha casa sede de um antigo sítio e um grande pomar de jabuticabeiras, além de uma vaca. Em 1903 é que decide construir um belo palacete art noveau sob projeto de Victor Dubugras.


Portanto é na virada do século que começa a efetiva ocupação da avenida, como podemos ver nas célebres fotografias (fig. 2) de Guilherme Gaensly tiradas em 1902 da torre do palacete Von Bullow. Nessa época a maior parte dos titulares do Império já havia falecido.


Em linhas gerais podemos encerrar a questão verificando que nenhum membro de famílias como Silva Prado, Souza Barros, Arruda Botelho, Paes de Barros, Souza Queiróz ou Penteado, por exemplo, tenham residido na avenida até 1910. Uma breve análise nos mostra que essas famílias concentravam-se em Higienópolis (Alvares Penteado e Silva Prado), avenida São Luiz (que era um feudo dos Souza Queiróz), Florêncio de Abreu e Brigadeiro Tobias (Paes de Barros, Souza Barros) e Campos Elíseos (Guedes Penteado, Arruda Botelho, Souza Guedes).


Em 1929 a crise da bolsa de Nova York acabou diminuindo a importância dessa elite de “barões e quatrocentões”, sendo que as classes ligadas à indústria e ao comércio começaram a ocupar o espaço antes dominado pelos cafeicultores.


Viveram – e morreram – em seus sobrados no centro os Barões de Tietê, Itapetininga, Silva Gameiro, Iguape, Souza Queiróz, São João do Rio Claro, Piratininga e Tatuí. O Marquês de Três Rios morava na Luz, onde hoje se encontra a Escola Politécnica; o Barão de Limeira morava na chácara na subida do Riachuelo. Já o primeiro Barão de Piracicaba morou na Florêncio de Abreu enquanto seu filho, de igual título, morava na rua Brigadeiro Tobias. A Marquesa de Santos morou em Santa Efigênia (quando casada com o Brigadeiro Tobias) e depois de viúva, até sua morte, na rua do Carmo. Nos Campos Elíseos viveu alguns anos o Barão de Arary, casado com uma sobrinha anos mais nova que depois de viúva foi residir na Paulista. O Barão de Pirapitingui havia construído seu sobrado na esquina da Ipiranga com Visconde de Rio Branco, casa que depois ficou de herança para sua filha Olívia, que morava a poucas quadras dali.


Os mais longevos titulares do Império foram o Barão da Bocaina, que faleceu em 1931 e morava nos Campos Elíseos, e a Baronesa de Arary, falecida em 1951 já centenária, e a única a realmente ter residido na avenida Paulista.


O resto é lenda.


As imagens que ilustram esse artigo são de Guilherme Gaensly.


Para imagens e mais informações: Álbum Iconográfico da Avenida Paulista, de Benedito Lima de Toledo


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