Complicado, não? Mas esse é apenas um exemplo da complexa e extensa relação de parentesco do grupo que chamaremos de família Barros.
Antes de mais nada, vamos esclarecer o imbróglio acima. Os irmãos Antonio e Bento Paes de Barros (respectivamente Barão de Piracicaba I e Barão de Itu) casaram-se com as irmãs do Brigadeiro Tobias, Gertrudes e Leonarda. O filho de Bento casou-se com a prima Antonia, e foram os Marqueses de Itu. Ficou claro?Bem, vamos adiante. A família Barros é uma das mais antigas na história de São Paulo. Para não precisar ir tão fundo em sua história, vamos tomá-la a partir do capitão Fernão Paes de Barros, casado com Ângela Ribeiro Leite. Um de seus filhos, Antonio de Barros Penteado, casou-se com Maria de Paula Machado, e tiveram 9 filhos:
Ângela Ribeiro de Cerqueira, casada com João Manoel Mesquita.
Joaquim Floriano de Barros, casado com Eliza Guilhermina.
Genebra de Barros Leite, casada em primeiras núpcias com o Brigadeiro Luiz Antonio de Souza, tendo deste matrimônio seis filhos, entre eles Ilídia (Marquesa de Valença), Luiz Antonio (comendador), Francisco Antonio (Barão de Souza Queiróz) e Vicente (Barão de Limeira). Em segundas núpcias Genebra uniu-se a José da Costa Carvalho, Marquês de Monte Alegre, sem descendentes.
Escholastica Joaquina de Barros, casada com Miguel Antonio de Azevedo Veiga.
Bento Paes de Barros, futuro Barão de Itu, foi casado com Leonarda de Aguiar. Tiveram sete filhos.
Antonio Paes de Barros, o primeiro Barão de Piracicaba casou-se com a Gertrudes Eufrosina de Aguiar e tiveram sete filhos.
Francisco Xavier Paes de Barros, conhecido por Capitão Chico de Sorocaba, casou-se a primeira vez com Rosa Cândida de Aguiar. Após o falecimento desta, desposou a cunhada Anna de Aguiar. Desta maneira as quatro irmãs do Brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar casaram-se com os irmão Paes de Barros. Enviuvando pela segunda vez, o capitão Chico casou-se com Andressa Lopes de Oliveira.
Anna Joaquina de Barros casou-se com João Xavier da Costa Aguiar.
Maria de Barros Leite casou-se com o conselheiro Francisco de Paula Souza e Mello.
Já percebemos que a maior parte dos casamentos nessa geração eram endogâmicos, ou seja, fechados dentro de um mesmo grupo familiar. Na geração seguinte não será diferente, pois ocorrem diversos matrimônios entre primos e tio(a)s e sobrinho(a)s.
Nesse tronco formado pelos filhos de Antonio de Barros Penteado surgem as famílias de maior expressão dentro do grupo Barros. São os Paes de Barros, Aguiar Barros, Souza Queiróz, Souza Barros. Também surgem aí os ramos dos Rezendes, dos Paula Souza, Vergueiro, Costa Aguiar, entre outros.
Essa geração terá grande destaque no cenário político e econômico não só paulista como no brasileiro. Senadores, conselheiros, ministros, barões, comendadores, todos eles terão influência no processo de enriquecimento de São Paulo, cuja economia permaneceu estagnada por quase dois séculos. Inicialmente cultivando a cana-de-açúcar, notadamente no que convencionou-se chamar de “quadrilátero do açúcar” (Jundiaí, Campinas, Itu e Piracicaba), em meados do século XIX iniciariam a plantação de café, o que iria modificar radicalmente a economia paulista.
Cafeicultores, monarquistas e escravocratas, poucos dessa geração irão assistir à queda da Monarquia e à libertação dos escravos. Nessa época seus filhos já estarão assumindo seus próprios papéis na história e vivendo o conturbado momento de transição entre os séculos XIX e XX.
Imagens: Barão de Piracicaba I e Genebra de Barros Leite. Quadros a óleo atualmente no Museu Paulista.